Quanto tempo demora pra carregar um carro elétrico? Tabela por potência
De 19 horas a 25 minutos: o tempo de recarga de um elétrico depende da potência do carregador e do limite do carro. Tabela com os modelos mais vendidos no Brasil e cálculo real.
Tem uma cena que todo dono de EV vai viver pelo menos uma vez: você desliga o carro na garagem com 18% de bateria, precisa sair em seis horas e tem na frente três opções — tomada 220 V da parede, wallbox de 7 kW instalado no mês passado e o eletroposto DC de 50 kW que fica a dois quarteirões. Qual escolher? E quanto vai sobrar na bateria quando você sair?
A resposta não é óbvia porque o tempo de recarga depende de três variáveis ao mesmo tempo: a potência do carregador, o limite do carregador de bordo do veículo e o tamanho da bateria. Mude qualquer uma das três e o resultado muda inteiro. A tabela que falta em quase todo guia do mercado é exatamente essa — e eu fiz ela aqui, com os modelos mais vendidos no Brasil em 2026 e o cálculo real de cada cenário.
A versão de 30 segundos
Três cenários de recarga, três mundos diferentes:
- Tomada 220 V comum (~2 kW): emergência. BYD Dolphin Mini leva ~19 h do zero ao 100%.
- Wallbox 7,4 kW (modo 3 AC): padrão doméstico. Dolphin Mini: ~5h30. Ideal para recarga noturna.
- Eletroposto DC (50–150 kW): viagem. Dolphin Mini de 20% a 80% em ~30 minutos.
O que decide quanto tempo vai levar não é só a potência do carregador. Em AC, o carregador de bordo do carro impõe um teto. Em DC, é o BMS que controla.
O que é carregador de bordo e por que ele manda no tempo
Quando você usa wallbox ou tomada doméstica, a corrente é alternada (AC). O carro precisa converter AC em DC para armazenar na bateria — e quem faz isso é o carregador de bordo (OBC, on-board charger). Se o OBC suporta no máximo 7 kW, plugar num wallbox de 22 kW não acelera nada. Você vai carregar a 7 kW e ter pago pelo hardware superdimensionado sem ganho algum.
Em corrente contínua (DC), a conversão já foi feita fora do carro, direto no eletroposto. Aí o BMS é quem controla a corrente — e os limites ficam muito maiores. É por isso que o mesmo Dolphin Mini que carrega a 7 kW no wallbox doméstico pode aceitar 60 kW num DC fast charger.
Dois números que você precisa saber antes de qualquer comparação:
- Potência máxima AC do OBC — teto no wallbox doméstico.
- Potência máxima DC — teto no eletroposto rápido.
Tabela de tempo de recarga por potência — modelos mais vendidos no Brasil
Os valores abaixo foram calculados do 0 a 100% de carga útil (não SOC absoluto), com eficiência de carregamento estimada em 90% para AC e 92% para DC, temperatura de 25°C. Resultados reais variam ±15% conforme clima e estado da bateria.
| Modelo | Bateria útil | OBC máx. (AC) | DC máx. | Tomada 220 V ~2 kW | Wallbox 7,4 kW | Wallbox 11 kW | DC 50 kW (20–80%) | DC 100 kW (20–80%) |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| BYD Dolphin Mini | 35 kWh | 7 kW | 60 kW | ~19 h | ~5h20 | ~5h20* | ~37 min | indisponível |
| BYD Dolphin GS | 40,9 kWh | 7 kW | 80 kW | ~23 h | ~6h10 | ~6h10* | ~30 min | indisponível |
| BYD Yuan Plus (Atto 3) | 49,9 kWh | 11 kW | 80 kW | ~28 h | ~7h30 | ~5h00 | ~36 min | indisponível |
| GWM Ora 03 | 47,5 kWh | 6,6 kW | 80 kW | ~26 h | ~7h00 | ~7h00* | ~36 min | indisponível |
| Volvo EX30 (SR) | 49 kWh | 11 kW | 153 kW | ~28 h | ~7h30 | ~5h00 | ~27 min | ~23 min |
| BYD Seal (STD) | 61,4 kWh | 11 kW | 150 kW | ~34 h | ~9h20 | ~6h10 | ~34 min | ~25 min |
* OBC limita a 7 kW ou 6,6 kW — wallbox de 11 kW não oferece ganho nesses modelos.
Fontes: especificações técnicas BYD Brasil, Volvo Cars Support, GWM Brasil; cálculos próprios com fórmula T = (kWh_útil / potência_real) × (1 / eficiência). Consulta maio 2026.
O elemento que quase nenhuma tabela do mercado mostra é a perda de eficiência no carregamento. Em wallbox de 7 kW, você está pagando por 7 kW de potência — mas 8 a 12% vira calor antes de entrar na bateria. Em instalação antiga, com extensão e tomada compartilhada, a perda pode chegar a 20%. Isso vai direto no tempo e na conta de luz.
Por que tomada 220 V comum não é solução de recarga diária
A tomada convencional de 220 V limita-se a 10–16 A com a maioria dos carregadores portáteis modo 2 homologados. Isso dá potência real de 2,2 a 3,5 kW — muito abaixo dos 7,4 kW do wallbox. Para um Dolphin Mini, são ~19 horas de espera num ciclo completo.
O problema maior não é a lentidão. É a segurança. Tomada doméstica não foi projetada para carga contínua de alta corrente por 10 a 19 horas. O conector aquece, o fio aquece, e qualquer fragilidade na instalação predial vira risco real. A ABNT NBR 17019 e a IT-41 do Corpo de Bombeiros de SP exigem circuito exclusivo, disjuntor dedicado e DR Tipo B exatamente porque a recarga prolongada em tomada compartilhada está na raiz de parte dos incêndios em garagens de EV registrados no Brasil e na Europa (ABVE, 2025).
Tomada comum: emergência, nunca rotina.
O que escolher: wallbox 7 kW, 11 kW ou DC na rua?
Para a maioria dos casos, o wallbox de 7,4 kW monofásico resolve 95% das necessidades. Se você roda até 150 km por dia — o que cobre a esmagadora maioria dos motoristas urbanos brasileiros —, o carro começa a noite com 30% e acorda com 100% sem estresse. Nada mais é necessário.
O wallbox de 11 kW só vale se o carro aceita 11 kW AC (Yuan Plus, EX30, Seal) e você tem rede trifásica disponível sem reforma. Muitos bairros residenciais no Brasil recebem apenas rede monofásica — confirme com a distribuidora antes de contratar. Para entender os critérios técnicos de instalação e quando a diferença entre wallbox 7 kW e 22 kW realmente importa, já detalhamos o tema.
O eletroposto DC é ferramenta de viagem, não de rotina. O custo por kWh em recarga pública é 2 a 3 vezes o da recarga doméstica. Um Dolphin Mini rodando 1.000 km/mês gasta, em média, R$ 15–25 de energia se carregado em casa; o mesmo percurso em eletroposto pago pode chegar a R$ 55–70. Para ter o número exato do seu modelo, o custo real por km do carro elétrico no Brasil já tem o cálculo feito por distribuidora.
Se você vai rodar uma viagem longa e depende de recargas rápidas em rota, entender como planejar recarga em viagem evita surpresas no meio do caminho.
Onde essa tabela falha
Toda tabela de tempo de recarga tem dois problemas ocultos que ninguém menciona.
O primeiro é a curva de recarga DC. O BMS não mantém a potência máxima do 0% ao 100%. Acima de 80% de SOC, a corrente cai para proteger a bateria — às vezes muito antes dependendo da temperatura. Um Seal indo de 10% a 80% em 25 minutos pode levar mais 35 minutos para completar os últimos 20%. É exatamente por isso que todo app de planejamento de rota recomenda parar em 80%: os últimos 20% custam quase metade do tempo total.
O segundo é a temperatura. Bateria LFP (BYD Dolphin Mini, por exemplo) carrega mais devagar abaixo de 15°C. Em dia frio em São Paulo, pode levar 15 a 20% a mais no mesmo wallbox. No verão do Nordeste, o BMS pode reduzir a potência DC para controlar calor. Tabela de catálogo reflete as melhores condições possíveis — o Brasil real tem 42°C em Petrolina e 5°C em Gramado.
Para entender como a química da bateria (LFP vs NMC) afeta a degradação em clima quente e influencia esses tempos ao longo do tempo, temos uma análise de degradação real em contexto brasileiro.
Fontes
- ABVE — Bombeiros e instalações de recarga em edifícios, 2025
- BYD Brasil — Especificações técnicas Dolphin Mini, Dolphin GS, Yuan Plus, Seal
- GWM Brasil — Ora 03 ficha técnica
- Volvo Cars Support — EX30 tipos de carregamento
- Canal Solar — ABNT publica NBR 17019 para instalação de carregadores de EV, 2023
- Vrum / Estado de Minas — Como carregar o BYD Dolphin Mini em casa, abr/2026
Escrito por
Eng. Rafael Iizuka
Cobertura editorial independente de carros elétricos e híbridos no Brasil — autonomia real, recarga, montadoras e custo total.


