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quarta-feira, 9 de setembro de 2026
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Carro elétrico dá mais enjoo? O que causa e como evitar na prática

A Exame confirmou o que eu já suspeitava rodando com passageiro atrás: frenagem regenerativa e torque instantâneo enjoam mais que carro a combustão. Testei os ajustes que resolvem.

Carolina Lemes 5 min de leitura
Passageiro no banco de trás de um carro elétrico olhando pela janela durante uma viagem
Passageiro no banco de trás de um carro elétrico olhando pela janela durante uma viagem

No banco de trás do Ora 03, minha sobrinha de 8 anos pediu pra parar duas vezes numa viagem de 40 minutos entre Santos e São Vicente. No Onix a combustão do pai dela, ela nunca passou mal nem em viagem de três horas pela Dutra. A estrada era parecida, o trânsito era parecido, a motorista era a mesma. O que mudou foi só o carro — e não é impressão de família com estômago fraco.

Por que o elétrico provoca mais enjoo que o carro a combustão

Fui atrás de explicação técnica porque “carro elétrico dá enjoo” virou reclamação recorrente de quem eu levo pra rodar — e a reportagem da Exame de 26 de julho de 2026 bate com o que eu sinto no volante. O texto explica que características típicas do elétrico — ausência de ruído do motor, frenagem regenerativa e aceleração imediata — dificultam a previsão dos movimentos pelo cérebro do passageiro.

Faz sentido pra quem já dirigiu os dois tipos de carro. Num combustão, o corpo recebe um conjunto de pistas antes de cada frenagem ou arrancada: o motor sobe de giro, a marcha troca, o carro empurra devagar. No elétrico esse aviso some. O torque chega inteiro desde a rotação zero, sem câmbio pra suavizar, e a frenagem regenerativa desacelera o carro assim que tiro o pé do acelerador — de forma contínua, mas sem o “aviso sonoro” que o cérebro aprendeu a associar a frear.

A reportagem da News Motor, de 16 de junho de 2026, detalha o mecanismo por trás disso: cinetose é o conflito entre os sinais que o ouvido interno, a visão e o sistema nervoso mandam pro cérebro. Quando esses sinais batem, o corpo antecipa o movimento sem problema. Quando não batem — como quando o carro desacelera sem o motor “avisar” — o cérebro interpreta como intoxicação e reage com náusea. A mesma reportagem aponta que crianças entre 2 e 12 anos são mais suscetíveis, exatamente o perfil da minha sobrinha.

O que importa decidir antes de uma viagem longa

Antes de sair de casa com passageiro atrás, valem 5 perguntas rápidas — respondi todas errado nas primeiras semanas com o Ora 03 e aprendi na marra:

  • Que modo de frenagem regenerativa está ligado? Modo agressivo tipo one-pedal multiplica os “sustos” de desaceleração.
  • Onde o passageiro vai sentar? Banco de trás sem visão de horizonte é sempre pior.
  • Vai ter tela ou celular na mão? Foco de perto + corpo em movimento é a combinação clássica de enjoo, elétrico ou não.
  • Comeu alguma coisa pesada antes? Estômago cheio piora qualquer cinetose.
  • A viagem tem trecho de trânsito parado e arrancada repetida? É onde o torque instantâneo mais incomoda.

Gatilho por gatilho — o que fazer

GatilhoPor que enjoaO que ajuda
Frenagem regenerativa forte (one-pedal)Desaceleração constante sem o “aviso” do motor a combustãoTrocar pro modo de regen mais suave nas configurações do carro
Torque instantâneo na saídaSem rampa de aceleração que o cérebro consiga preverAcelerar progressivo, sem “pisar fundo”
Silêncio da cabineFalta de referência sonora que ajuda o ouvido interno a se situarEntreabrir o vidro ou usar música como referência
Celular ou leitura no banco de trásFoco perto vs. corpo em movimento — cinetose clássicaGuardar a tela, olhar pro horizonte
Criança pequena sem ver a estradaMenos referência visual externaElevar o assento (booster) e sentar mais perto do meio

Minha escolha e por quê

Depois da segunda parada de emergência, mudei o Ora 03 pro modo de frenagem mais suave — ainda regenera, só não trava o carro sozinho quando solto o acelerador, que é como o modo one-pedal costuma vir configurado de fábrica. Também passei a pedir pro passageiro guardar o celular e olhar pra frente, e deixo o ar batendo direto no rosto de quem enjoa — não porque resfria mais, mas porque o fluxo de ar é outra referência sensorial que ajuda o corpo a se situar. Minha sobrinha andou de Ora 03 mais três vezes depois disso. Nenhuma parada.

Isso custa autonomia? Um pouco — rodar com o ar-condicionado ligado consome parte real da bateria, mas é troca que vale a pena num trajeto curto com passageiro sensível. Em viagem mais longa, o cálculo muda: quem já planeja recarga no meio do caminho pode aproveitar a parada pra dar um respiro ao passageiro também, o que ajuda mais que qualquer ajuste de configuração. E se a viagem for a primeira de verdade da família no elétrico, vale revisar o que muda na hora de preparar o carro pra estrada antes de sair — enjoo é só um dos ajustes, não o único.

Não é regra que todo mundo vai enjoar. Rodei com dezenas de passageiros que nunca sentiram nada. Mas quando alguém enjoa no elétrico e nunca enjoou em carro a combustão, o problema não está na cabeça da pessoa — está num conjunto de sinais que faltam, e dá pra compensar a maioria deles sem gastar nada.

Perguntas frequentes

Criança enjoa mais em carro elétrico do que em carro a combustão? Segundo a reportagem da News Motor, crianças entre 2 e 12 anos são identificadas como mais suscetíveis à cinetose de forma geral, e o mecanismo do elétrico — menos referências sonoras e de vibração — piora esse quadro específico.

Desligar o modo one-pedal realmente resolve? Ajuda bastante porque reduz a frequência das desacelerações bruscas, mas não elimina o problema sozinho — combine com banco da frente, sem tela e olhar no horizonte pra sentir a diferença completa.

Remédio de enjoo comum funciona igual no elétrico? O mecanismo de cinetose é o mesmo conflito sensorial de qualquer meio de transporte, então os remédios de venda livre costumam funcionar igual — mas confirme dose e uso com um farmacêutico ou médico, principalmente pra criança.

Fontes

C

Escrito por

Carolina Lemes

Cobertura editorial independente de carros elétricos e híbridos no Brasil — autonomia real, recarga, montadoras e custo total.

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